quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poesias I parte.

Do útero a cova - Francisco Antonio  

No Principio não eramos nada 
De repente, sem pedirem
a opinião de ninguém
Inventaram o útero
muito útil, porem   
Ate ai tudo bem

Vem um gaiato qualquer 
Combina com uma mulher 
e nos enfia dentro desse útero
sem saber se a gente quer
ficamos encolhidos e em pouco tempo 
somos, por um parto, expelidos

Ganhamos uma vida ?
para muitos é uma cruz pesada 
outros: uma luz abençoada
para alguns é como se no meio da
cabeça levassem uma bruta enxada 

Enquanto viajamos de carona
num espermatozoide gaiato
ate o útero da nossa mãe
é tudo muito engraçado
A barriga cresce, o enxoval aparece
Mas quando de lá saímos
torna-se tudo complicado

Já no final não somos nada
também
Vem uma ordem lá
do além
enfiando agente num ridículo caixão    
e, depois de toda essa prova
inventarão uma tal de cova
e sem dó, piedade,
enterram nossa maior emoção.

         05/1999.


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